sexta-feira, 25 de maio de 2012

Buscando o recorde



Quem corre descobre sua própria identidade. Esta foi a frase de autoria própria que Luciano Prado dos Santos colocou num quadro inspirado no livro Cavaleiro da Saúde, que leu com entusiasmo no final de 2011. Contou, na época, sua incrível história de superação, de como - sem recursos e sentindo-se gordinho - escolheu a corrida como esporte, descobriu a modalidade em esteiras e sobrepujou quaisquer dificuldades pessoais, para buscar recordes.

A modalidade não é moda, no Brasil o patrocínio é dificilimo. Mesmo assim, tornou-se recordista mundial da corrida em esteiras em 2004, e agora trabalha para voltar ao Guiness, já que sua marca foi ultrapassada por um esportista australiano.

Pois bem, inspirado na leitura do livro, Luciano fez o quadro acima. E, graças ao quadro - artesanato que inventou com palitos de fósforo usados e retalhos de arame - despertou o interesse de Dra. Waleska Santos, presidente da Hospitalar, e de sua equipe, que lhe preparou um espaço especial em área de grande visitação na Feira+Fórum Hospitalar 2012, para que tentasse bater o sonhado novo recorde.

Abaixo, o release que conta mais sobre o esportista, e sua batalha, ancorada numa fiel equipe de apoio. (Silvia Czapski)

Ultramaratonista Luciano Prado tenta recorde mundial na Hospitalar 2012
O ultramaratonista brasileiro Luciano Prado espera bater, nestas sexta feira (25 de maio) o recorde mundial da modalidade corrida em esteira, correndo por 24 horas ininterruptas na Feira+Forum Hospitalar, que acontece entre os dias 22 e 25 em São Paulo. 
Luciano, na Hospitalar 2012
Quer, deste modo, repetir seu próprio feito de 2004, quando percorreu 249,6 km em esteira, também em 24h, superando a marca Guiness que até então pertencia a Serge Arbona, dos EUA, com 245,05 km. "Estou preparado para bater novo recorde mundial. Meu desafio é percorrer 258 km", avisa o atleta.
Em cerca de 20 anos de carreira, já são mais de 60 competições importantes em que participou, em países como Argentina, Espanha, Rússia, Taiwan e Holanda, além do Brasil. Foi campeão em 11 ocasiões - inclusive numa corrida sul americana de 48 horas no Arizona (EUA - 365,2 km) e vice em outras cinco, entre as quais o segundo melhor sul americano numa ultramaratona de 24h em Taiwan, China.
O país tem poucos os ultramaratonistas, e a maioria não é filiada à Federação Brasileira de Atletismo, relata Luciano, que porém é otimista. "É gostoso superar os limites, mesmo com todas as dificuldades. Trata-se de um exemplo de vida que a gente deixa para todas as pessoas. Espero que com a busca do recorde, as empresas passem a apoiar esta modalidade de esportes no Brasil, assim como acontece lá fora. E que tenhamos mais competições de longa distancia, hoje raras no Brasil"
Equipe Amantes da natureza
Mesmo esportes aparentemente solitários como a corrida em esteiras dependem de uma equipe que o ajude a alcançar o recorde, com eficácia, equilíbrio e saúde. 
Há 25 anos Luciano é orientado por Heroi Fung, "um grande amigo e paizão", pelo médico de medicina esportiva Dr. Marcelo Archeboim e o renomado fisiologista Dr. Turíbio Leite de Barros, que realizam o trabalho voluntariamente. A esposa Angelita e filha Luciana complementam a equipe de corrida que ganhou o nome "Amantes da Natureza". 
História Superação
Gordinho e sedentário na adolescencia, Luciano Prado entusiasmou-se com a ideia de fazer atletismo, pela leitura de um livro sobre o tema, aos 19 anos de idade. Sem condições econômicas para se inscrever em academia, aproveitou o fato de morar perto do Horto Florestal, importante área verde da capital paulista. Começou a correr diariamente por lá, sem orientação técnica. Daí a um ano, inscreveu-se em sua primeira maratona. Apesar da inexperiencia, foi relativamente bem.
Em 1986 - já com um treinador que viu nele a vocação para longas distâncias - inscreveu-se para uma corrida de 100 km em Angra dos Reis. Para sua surpresa, ganhou 2o lugar. Nunca mais parou. Por ser esporte de raros patrocinadores, continuou a trabalhar na área técnica em emissoras de TV, sem abandonar as corridas. 
Certa vez, sofreu uma forte lesão muscular que o obrigou a deixar a corrida por longo tempo. Inventou, no período de convalescença, bonequinhos-corredores, feitos com dois palitos de fósforos usados e retalhos de arames encapados, desses que técnicos de telefonia largam no chão das calçadas. Tornaram-se base para bottoms, imãs de geladeira e até a telas. 
Mais recentemente, vendo-se desempregado, encontrou na coleta de sementes um motivo para manter o alto astral. Cria mudas de árvores, doando-as a quem se disponha a plantar.
O atleta acostumou-se a atrair o público enquanto corre. Segunda maior feira do setor no mundo, a Hospitalar espera receber mais de 80 mil visitantes nos quatro dias de funcionamento. Perguntas do público, diz ele, ajudam-no a sair do tédio.
PS: Repetindo Henfil "se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente." 

Não foi dessa vez. Luciano completou o tempo - 24 horas ininterruptas de corrida numa esteira, em espaço especialmente preparado pela Feira+Fórum Hospitalar. Mas não conseguiu bater o sonhado recorde sobre si próprio em 2004, e o australiano que o ultrapassou.

Na foto ao lado, ve-se ao fundo o telão que destaca o desafio, enquanto ocorria. Acima, outro ângulo, com o relógio que marca o tempo corrido.

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