sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Três anos


 

Juergen Koch, em 2007
(foto: Silvia Czapski)
Estimada Silvia:
En el día de aniversario del fallecimiento de tu querido padre, quería asegurarte de los cariñosos recuerdos que me unen  con él y decirte que te acompaño en tu pena y en tu soledad.
Afectuosamente,
Juergen

Há exatamente um ano - 12 de janeiro de 2012 - me emocionei com essa mensagem eletrônica de Juergen Koch, que vivia em Buenos Aires e tão carinhosamente rememorou o falecimento do primo, Juljan Czapski. Aos 97 anos, ele não só leu e se entusiasmou com a biografia Cavaleiro da Saúde, como contou duas histórias complementares incríveis, que se tornaram imperdíveis posts deste blog. (para ler, clique aqui e aqui) 

Quis o destino que Juergen deixasse este mundo em 29 de outubro último, conforme relataram as filhas, com a mesma delicadeza que marcava o pai.

Simultaneamente a essa lembrança, neste terceiro aniversário da perda de Dr. Juljan, rebrota em minha memória a repercussão de uma reportagem que tomou dois terços de página do jornal Folha de São Paulo, em 19 de janeiro de 2010.


Folha de São Paulo, 19/01/2010 
Seu título já diz tudo: Plano barra benefício a pioneiro do plano de saúde. Pessoas de todo país entraram em contato conosco, para manifestar a solidariedade.

O eficiente Estêvão Bertoni até poderia ter dado a notícia imediatamente após o falecimento do Cavaleiro da Saúde. Mas seguiu o ritual jornalístico de aguardar alguns dias, dando chance ao "outro lado" de se pronunciar. 

Vale à pena ler (ou reler), a reportagem, que tomo a liberdade de ilustrar com imagens encontradas ou incorporadas posteriormente no arquivo de Dr. Juljan:  
São Paulo, terça-feira, 19 de janeiro de 2010 
Plano barra benefício a pioneiro do plano de saúde.

Juljan Czapski, 84, morreu em decorrência de tumor no cérebro sem conseguir home care. 
Bradesco Saúde diz que prestou a cobertura prevista no contrato; médico fundou, nos anos 1950, a 1ª empresa de medicina de grupo do país. 
ESTÊVÃO BERTONI  
DA REPORTAGEM LOCAL
Policlínica Central, anos 1969: Dr. Juljan ao fundo,
onde a parede muda de cor (foto: arquivo pessoal)
Ele foi pioneiro dos planos de saúde no Brasil, ao fundar nos anos 1950 a primeira empresa de medicina de grupo do país.  
Polonês, médico pela USP e com mais de meio século dedicado à área, Juljan Czapski morreu na semana passada, aos 84 anos, em desavença com o plano que o atendia.
Médicos, familiares e até amigos tentaram convencer a Bradesco Saúde, seu plano, a conceder-lhe o home care, atendimento personalizado em casa, que não estava em contrato. O benefício não saiu, e a família alega nunca ter recebido sequer uma resposta formal.

A seguradora diz que prestou a cobertura prevista contratualmente. 
Czapski, que morreu na última terça em decorrência de um tumor no cérebro diagnosticado no meio do ano passado, tinha o plano pago pelo Sindhosp (sindicato dos hospitais paulistas), do qual era diretor.
Em novembro, ele foi internado no hospital Nove de Julho.
No início de dezembro, o médico responsável pelo seu tratamento solicitou ao plano que o paciente tivesse o home care - foi um dos vários pedidos feitos pela equipe médica.
O benefício não foi dado.
A partir de então, a família diz ter contatado diversas vezes a Bradesco Saúde, para pedir o serviço. Segundo a filha Silvia, os funcionários da empresa evitaram responder por escrito.
As conversas eram por telefone.
Até um amigo da família, o economista André Médici, consultor nos EUA do Banco Mundial na área de saúde, chegou a telefonar e enviar e-mails ao Bradesco, antes do Natal, na esperança de que concedessem o benefício. Não teve resposta.
Czapski não conseguia mais andar, tinha dificuldades para movimentar os braços e para falar. A família, então, custeou e montou em casa "um esquema tosco de home care", como descreve o filho Cláudio, que também é consultor de saúde.
"A curto prazo, eventualmente se economiza um trabalho de home care, mas o fato de ele ser negado acaba agravando a condição de vida do paciente e ele retorna ao sistema numa situação mais grave, que gera custos muito maiores", diz.
Segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que controla os planos, não há a obrigatoriedade de que o home care esteja em contratos, mas, por livre negociação com os clientes, eles podem oferecê-lo.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1901201014

ARTE: 
MÉDICO TAMBÉM PARTICIPOU DA FUNDAÇÃO E DA DIREÇÃO DO MAM, EM SP
Juljan Czapski e Alice Brill nos anos 1990
Médico que, em 1956, criou a Policlínica Central, primeira empresa do país de medicina de grupo a oferecer serviços a empresas, Juljan Czapski também foi ligado às artes. Quando ainda estudava, foi assistente de fotografia da mulher, a artista plástica e fotógrafa Alice Brill, 89. Czapski participou da fundação do MAM-SP (Museu de Arte Moderna), do qual foi diretor. Era ainda ligado a questões ambientais, tendo fundado uma associação de proteção ambiental em Itu (SP).
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1901201015.htm

Outro lado.
Bradesco Saúde diz que prestou assistência prevista
DA REPORTAGEM LOCAL

Em nota, a Bradesco Saúde afirma que prestou "toda a cobertura médica e hospitalar prevista contratualmente" durante o período em que o médico Juljan Czapski esteve doente e em tratamento.
"Todas as informações sobre o seguro de saúde do senhor Juljan Czapski foram prestadas ao seu médico assistente e à sua família, na pessoa da sua filha, Silvia Czapski, em reiterados contatos mantidos com a Bradesco Saúde", diz a nota.
A seguradora informa que uma internação foi solicitada no dia 6 de novembro de 2009, no hospital Nove de Julho, com duração até o dia 7 de dezembro, quando o paciente recebeu alta do médico assistente.
Já no dia 12 de janeiro, continua a nota, "o senhor Juljan voltou a internar-se, no Hospital Nove de Julho, condição esta que prevaleceu até o óbito, na mesma data".
A Folha teve acesso a um pedido, feito em 7 de dezembro, por um dos médicos responsáveis pelo tratamento, em que se reforça a necessidade do home care. A avaliação médica dizia: "Trata-se de um paciente que se encontra afásico [enfraquecido] e incapacitado para a marcha [caminhar] e totalmente dependente de cuidados e enfermagens médicas". 
A Bradesco Saúde não comentou sobre o pedido negado do home care e, questionada se já concedeu o serviço mesmo em casos não previstos em contrato, nada respondeu.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1901201016.htm
2008, congresso em Buenos Aires.Lideranças latino-americanas do setor-
-saúde, se reunindo para a foto oficial dos organizadores e palestrantes
(Dr.Juljan ao fundo, perto do quadro). Foto cedida por Dra. Luz Loo, do Peru.
Se Dr. Juljan estivesse vivo, provavelmente teria usado a reportagem para incitar o debate sobre políticas públicas relacionadas ao home care, tema que avança a passos lentos, apesar do forte vínculo com racionalização e humanização de tratamentos de saúde.

Em 23 de janeiro de 2010, apenas quatro dias após a publicação na Folha de São Paulo, André Medici, coautor de O Cavaleiro da Saúde, postou um esclarecedor artigo sobre home care em seu blog. Respondia, com isso, a pergunta de um leitor do artigo-homenagem que Medici escrevera para o mesmo blog em 15 de janeiro. Foi lá que, pela primeira vez, usou a expressão Cavaleiro da Saúde. Tão boa definição de Dr. Juljan, que se tornou, por votação, o título da biografia. 

Para saber mais
* A Saúde em Casa e os Planos de Saúde: para entender o 'Home Care' e suas perspectivas como parte do setor-saúde, artigo de André Medici, em seu blog, Monitor da Saúde.
* Juljan Czapski: O Cavaleiro da Saúde (1925-2010): artigo-homenagem de André Medici, postado, em 15/1/2010.


*
Morre Dr. Juljan Czapski, um grande visionário da saúde: Notícia do site da Feira+Fórum Hospitalar de 13/01;2010.

* Vídeo-homenagem a Dr. Juljan: não canso de ver e recomendar, sobretudo pelas imagens iniciais filmadas em 1929 na fazenda da Polônia onde dr. Juljan nasceu, Apesar de feito antes de iniciarmos a produção de O Cavaleiro da Saúde (2008), é quase um trailer do livro. Sete minutos. (Silvia Czapski).   

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

História da Previdência

Anos 1960-70 - congressos
de Medicina de Grupo
Nascido na Polonia, perto da fronteira alemã, Juljan Czapski expressava-se em alemão e polonês. Adolescente, aprendeu francês na prática, na rota de fuga vivida na II Guerra Mundial (mais de meio ano entre França, Senegal e Marrocos). E português, por ter vivido e estudado no Brasil desde os 16. O inglês firmou-se por necessidade durante cursos e viagens. 

Mas dizia-se "fluentemente analfabeto em todas as línguas". Pois conversava nos vários idiomas sem medo de errar, mas intimidava-se pelos erros ortográficos na escrita, dado seu aprendizado via conversação.

Talvez por isso preferisse pedir que datilografassem (quem se lembra disso?) ou digitassem o que escrevia a mão (ótimos textos, linguagem simples e direta). Em geral, havia uma secretária a postos. Mas...

Palestrando na Argentina,
em 2008
... nos fins de semana, não raro, era eu, a filha jornalista, a digitar. Foi assim quase oito anos atrás, quando (de novo / ainda) a Reforma de Previdência estava em pauta.

Com sua aguda memória, o Cavaleiro da Saúde fez um resumo histórico, que enviou como comentário de um artigo de um colunista do Estadão. Sem se intimidar com a não resposta, mandou para o blog do jornalista Luis Nassif, onde o tema "fervia". Nassif publicou em 1/2/2007. E Dr. Juljan espantou-se com as dezenas de comentários que recebeu. 

As considerações tornam-se mais que atuais, ante a onda de desonerações para o setor produtivo, que trará reflexos na questão das aposentadorias, por reduzir as contribuições das empresas nessa área. Confira: 



"Caro Luis Nassif,
 Tenho acompanhado com interesse seus comentários sobre os números da Previdência. Há muitos anos tenho batido na tecla dos fatos que contribuíram para chegarmos à situação atual. Reproduzo abaixo uma carta que escrevi há pouco mais de um ano para um jornal, que não foi publicada ou comentada, e que traz alguns fatos ainda não levantados na atual discussão.                          
Estou com mais de 80 anos e tenho contato com a Previdência há mais de 50, desde o tempo dos "Institutos de Previdência", alguns mais ricos, outros mais pobres, e com diversos graus de prestação de serviços. Mas todos eles ainda não pagavam aposentadoria, pois a grande leva de trabalhadores só recebeu "carteira assinada" a partir da 2.ª metade da década de 1950 e principalmente nos anos 1960. Teriam direito à aposentadoria a partir da 2.ª parte da década de 1980, com grande incremento nos anos 1990.
O caixa portanto estava alto. Mas o Governo, em vez de aplicar as reservas, usou-as para fins sem retorno financeiro, como por exemplo custear a construção de Brasília e subsídios diversos...
Em 1967, os institutos isolados foram fundidos no INPS. Pela lei, teriam direito à aposentadoria apenas os contribuintes. Só que, no governo Geisel, por motivos políticos, começaram a dar direito à aposentadoria também para quem não contribuíra: trabalhadores rurais, etc. Lembro-me perfeitamente quando o então ministro da Previdência, muito assustado, externou pessoalmente a mim que o número de idosos era cinco vezes maior de que os dados fornecidos a ele. Mas o caixa, mesmo assim, continuava alto.
 Aí, no Governo Itamar Franco, o então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso enfrentava o caixa do Tesouro baixo, deficitário. Para melhorar este caixa - que pagava a aposentadoria, em geral alta, de militares, deputados, funcionários públicos, etc - o sr. Ministro baixou uma portaria retirando do Tesouro, e passando para o INPS, o pagamento destas aposentadorias. Ou seja, todo pessoal do setor público que nunca contribuiu para o INPS, já que esta era atribuição do Tesouro (onde aliás o Governo também deveria ter contribuído com sua parte), passou a depender deste caixa da Previdência. E esta situação persiste até hoje [obs: 2007]. Além do mais, o número dos legítimos beneficiados, aqueles que contribuíram efetivamente, amplia-se a cada ano.
 O caixa acabou. Como fazer para pagar as aposentadorias? Roubando dos aposentados, que são o elo fraco desta corrente.
A situação foi ainda agravada pelo fato de o cálculo autuarial da Previdência ter se baseado na contribuição tripartite - empregado, empregador e governo - e que este último nunca contribuiu. Pois com isso falta ainda um terço da receita!
Mesmo considerando os outros fatores, se o Tesouro voltasse a assumir sua verdadeira responsabilidade de pagamento das aposentadorias dos seus servidores e semelhantes, e pagasse a terça parte da arrecadação que está devendo ao INPS, a situação de Previdência seria excelente. E não precisaria praticar um verdadeiro roubo contra seus segurados, como vem ocorrendo." (Juljan Czapski - presidente do Instituto de Planejamento Estratégico em Saúde)
Clique aqui, para ver uma das reproduções da mensagem de Juljan, no Site do Citadini em 2007 (Silvia Czapski). 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dr. Dante Montagnana


Abertura solene da Primeira Feira + Fórum Hospitalar (1994): ao centro, Dr. Hiroshi Nakajima, então diretor geral da Organização Mundial de Saúde.  Marcando a bem sucedida parceria com Sindhosp, seu presidente, Dr. Dante Ancona Montagnana (terno cinza claro).  

Nestes tempos modernos, o Facebook adquire a qualidade de ser o primeiro canal também para as tristes notícias. Foi assim que soube - por meio de Erik von Eye (com quem Dr. Juljan dividia a tarefa de representação da entidade no Conselho Estadual de Saúde) - do falecimento neste 10 de dezembro de Dr. Dante Ancona Montagnana, que desde 1994 presidia o Sindhosp, o sindicato dos hospitais do Estado de São Paulo, onde Dr.Juljan foi tão atuante. 

Dr. Dante, Dra Waleska Santos e
Dr. Juljan, em noite de homenagem
Sem outras palavras, reproduzo um trecho de "O Cavaleiro da Saúde" (páginas 289-290), onde contei um pouco sobre esse médico e sua atuação à frente da entidade. Eram os anos 1990, período pós-Constituinte em que a saúde suplementar foi ganhando o arcabouço legal e as características que hoje vivenciamos:
"... para preparar os posicionamentos do sindicato sobre qualquer nova publicação de norma, portaria ou consulta pública de interesse. Em vez de defender o setor de forma intransigente, ele [Juljan Czapski] buscava saídas aceitáveis para os dois lados. Dessa forma, dizia, conseguiriam evitar, no nascedouro, imposições impraticáveis para o segmento. O presidente do Sindhosp, Dante Ancona Montagnana, concordava com essa colocação e, normalmente, as reivindicações saíam em comunicados oficiais, assinados por ele, com Juljan como diretor científico. Em geral eram acatadas.
Visita técnica Sinhosp: Dr. Dante à esq. 
Médico, administrador, na luta sindical desde os anos 1980, Montagnana aproximara-se de Juljan em 1994, após assumir a presidência do Sindhosp. Impressionava-o a desenvoltura com que o diretor do São Jorge introduzia aspectos técnico-cientificos nos debates. Por entender que a representatividade do Sindhosp dependia de prosseguirem na luta em defesa dos interesses do setor, o novo presidente usou a visão de empresário para modernizar a estrutura da entidade.
As demandas eram um mundo. Desde acompanhar projetos de lei e outras questões jurídico-legais que pudessem afetar os estabelecimentos de saúde, até o atendimento às dúvidas dos filiados, e as infindáveis batalhas por preços justos e condições para oferecer qualidade no atendimento aos usuários.
1994 - Hospitalar: Dante Montagnana, Waleska Santos,
Ubiratan Dellape, Ines Czapski Dellape, Juljan Czapski
Nos primeiros dez anos sob comando de Montagnana, o Sindhosp consolidou sua rede de regionais no interior paulista e reforçou o apoio profissional na sede paulistana. O departamento jurídico, por exemplo, chegaria a oito advogados em tempo integral. O próximo passo seria a fundação da Fehoesp, federação estadual dos hospitais, clínicas e laboratórios, como canal mais direto de representação política.

A conjuntura era paradoxal. O subpagamento — palavra que Juljan usava para a remuneração insuficiente do governo aos hospitais — fazia que vários estabelecimentos recorressem a subterfúgios para não fecharem as portas.Por exemplo, a cobrança de um “por fora” aos pacientes. Se o governo coibisse, poderia inviabilizar o sistema do qual dependia.
De modo geral, a perspectiva era de sucateamento da rede, que não tinha como investir em melhorias. Em novembro de 1997, o Sindhosp lançou um movimento pelo descredenciamento coletivo do SUS, a partir da regional de Bauru.
 Grandes mudanças também se prenunciariam no ano seguinte, na área de planos de saúde. Mais de quarenta anos após a criação da primeira empresa de medicina de grupo no país, o setor formado pelos grupos médicos, cooperativas, entidades de autogestão e seguro-saúde — que crescera sem nenhuma regulamentação e agora atendia 25% dos brasileiros —, teria de rever o modo de operar." (fonte: 'O Cavaleiro da Saúde', pags 289-290)
Em tempo. Entro mais uma vez neste post para dar o link de uma notícia sobre o falecimento de Dr. Dante publicada no site do Sindhosp - lá você saberá mais sobre ele e seu papel no setor-saúde. Clique aqui para conferir. (Silvia Czapski)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Senta que lá vem História...

Dr. Juljan, um dos fundadores da Federação de Administradores Hospitalares (pag 43)

O refrão me vem à mente, ao examinar o livro "Pró - Saúde: uma História de 45 Anos de Profissionalismo em Administração Hospitalar", que faz um resgate da história da administração hospitalar no Brasil, como ponto de partida para expor a trajetória dessa entidade pioneira, que soube acompanhar a evolução tecnológica, inimaginável pouco mais de quatro décadas atrás.
Ilustração no livro comemorativo
aos 45 anos da "Pró-Saúde"

As ilustrações (como a charge ao lado) são indicativos da fartura de documentos de época, materiais que poderiam também inspirar filmes, outras histórias escritas, ou mesmo um museu sobre a evolução desse segmento do setor-saúde no país.

Não dá para não registrar neste post a presença de Dr Juljan no livro, como um dos fundadores da Federação Brasileira de Administração Hospitalar (FBAH), criada em 1971 para "congregar os administradores hospitalares, promover a defesa dos interesses da classe, desenvolver esforços para a boa formação dos administradores hospitalares e empenhar-se para conseguir a regulamentação da atividade".

Assim como não dá para não mencionar aqui que este envolvimento de Dr. Juljan também está em "O Cavaleiro da Saúde", com detalhes que dão o clima da época, graças à incrível memória do amigo e pioneiro Padre Niversindo Cherubin, complementado por documentos deixados pelo próprio Dr. Juljan.

Quer saber mais? 
* O livro sobre a Pró-Saúde está disponível na internet em pdf: basta clicar aqui.
* Também vale conferir o post Em festa, de março/2011, que conta um pouco mais sobre essa história. (Silvia Czapski)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Dr. Renato Fairbanks Barbosa


Alice Brill clicada por Gustavo Scatena Fairbanks Barbosa
Coincidências existem? Conheci o Gustavo Scatena pelos idos de 2005, como fotógrafo de um projeto da Revista Caras de traçar perfis fotográficos de imporantes artistas plásticos brasileiros.

Sairia a cada edição RSVP, direcionada aos vips. Esposa do Cavaleiro da Saúde, Alice Brill foi uma das primeiras a ser clicada. Recebeu a equipe no atelier ... mas o projeto não deslanchou. 

Acontece que as fotos ficaram tão boas (tomo a liberdade de reproduzir uma, na abertura deste post) que varias vezes pedimos autorização para usar essas imagens como "foto oficial" da artista plástica. E ele sempre autorizou. Assim foi quando Alice recebeu homenagem da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (ABCA), que a elegeu Artista do Ano pela trajetória artística. Também aconteceu quando precisávamos de boas fotos para ilustrar catálogos de mostras individuais importantes, tais como uma no Museu da Energia (Itu - 2006), e no Espaço BM&F (SP - 2010).
 
Por todo esse tempo, ninguém de nós imaginou um elo que vai além das imagens. Até que...

... dias atrás, ao contar para seu pai sobre o lançamento de "O Cavaleiro da Saúde", o fotógrafo soube que seu avô, o médico Renato Fairbanks Barbosa, foi amigo de Juljan Czapski, marido de Alice. Mais que isso, foram companheiros de várias batalhas relacionadas às políticas de saúde.

Foi no Hospital São Luiz (fundado em 1938 pelo avô de Gustavo com com os colegas Alceu de Campos Rodrigues e Paulo Gomes Carneiro) - a famosa reunião que resultou na fundação da Abramge, ou Associação Brasileira de Medicina de Grupo, e na eleição de Juljan como primeiro presidente, em 1966.  Episódio este detalhado em "O Cavaleiro da Saúde", com bastidores inéditos desta luta emprendida por um pequeno grupo de pioneiros.

Assim como Juljan, Dr. Renato também acompanhou de perto o processo de criação e consolidação do Sistema Unico de Saúde - SUS - que chegou a classificar como "uma revolução sem precedentes". Infelizmente não tínhamos como entrevistá-lo quando escrevíamos o livro, pois nos deixou aos 92 anos de idade, em janeiro de 2006... quatro anos antes de Juljan. 

Apenas em sebos poderemos encontrar o livro "Medicina de Grupo" que Renato Fairbanks Barbosa publicou em 1968, (capa ao lado). Mas via internet, achei alguns textos bem interessantes sobre ele:
* Artigo "A Pilgrim's Trajetory",  de Cristina Iori (2005) sobre origens dessa família com muitos médicos, na revista científica Applied Cancer Research, do Hospital A.C.Camargo. 

* Como surgiu o Hospital e Maternidade São Luiz, depoimento de Roberto Capuano (2010)
* E tem, no site da Abramge, um dos textos que usamos como fonte de informações sobre a histórica reunião com Juljan e Fairbanks Barbosa, que resultou na fundação da entidade, em 1966
Agora que sei o nome completo do fotógrafo - Gustavo Scatena Fairbanks Barbosa -, aguardo ansiosa a opinião do pai dele, Renato Fairbanks Barbosa Filho - filho do cofundador da Abramge -, sobre o livro O Cavaleiro da Saúde. (Silvia Czapski)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Bienal do Livro 2012 - 14 de agosto

Clique na imagem, para vê-la ampliada
Tem um significado pra lá de especial atender o convite da Novo Século de termos uma nova sessão de autógrafos do livro "O Cavaleiro da Saúde" na Bienal do Livro 2012, pois foi lá mesmo, dois anos atrás, que começou a aventura de publicá-lo por uma editora de maior porte.

Estávamos escrevendo o livro, eu em São Paulo e André Medici em Washington/ EUA, onde vive. E-mail era nosso principal canal para a troca de ideias. 

Tínhamos o desafio de lançar a publicação em maio de 2011, durante a Hospitalar Feira e Forum daquele ano. Era uma expectativa não apenas nossa, mas também do grupo de parceiros que viabilizaram a pesquisa e produção do conteúdo: três organizações em que Dr. Juljan atuou (Abramge, Sindhosp e Fehoesp) e três empresas (Amil, Hospitalar Feira e Forum, e Intermédica). Segunda maior feira do setor no mundo, com mais de 60 eventos simultâneos, constituia-se num espaço ideal para o lançamento.

Mas vivíamos o impacto da perda inesperada de Dr. Juljan em janeiro de 2010, após um curto período de doença. No meu caso, lutava para sobrepor o papel de jornalista e escritora à dor que sentia como filha. Por outro lado, encontramos mais de 1,5 documentos que ele deixou - em grande parte inéditos - e cerca de 100 textos de sua autoria. Material preciosíssimo, pelas informações novas e esclarecedoras para a História recente do país.

Foi nessa época, em agosto de 2010, que tirei uma tarde para visitar a Bienal do Livro. Entrei no estande da Novo Século casualmente durante o lançamento da biografia de Affonso Brandão Hennel, escrita por Elias Awad, jornalista e biógrafo de importantes empresários brasileiros, sempre pela editora. 

Diretor presidente da Novo Século, Luiz Vasconcelos estava lá. Interessou-se pela história de Dr. Juljan, criador da primeira empresa de medicina de grupo e dos planos de saúde no país. E assim nasceu a parceria que nos permitiu fazer um livro maior, mais completo e com distribuição garantida em todo país. Sem muito alarde, o livro também já existe na versão e-book.

A sessão de autógrafos acontece na terça feira, 14/8, das 11h30 às 12h30, no estande da Novo Século (rua H-70, próximo ao espaço infantil). Tomara que possa estar lá! (Silvia Czapski)


sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Banda

Era quase um ritual que fechava o final de semana no início dos anos 1960, que só foi mencionado em "O Cavaleiro da Saúde", sem os detalhes que voltam à minha memória neste mês de junho, com os festejos de 100 anos da Corporação Musical União dos Artistas, mais conhecida como Banda de Itu. 

No domingo à noite, após lotar o bagageiro com os 'produtos do sítio', a kombi de serviço do Cavaleiro da Saúde recebia dois colchonetes, que forravam os vãos entre os bancos de passageiros. Tomávamos um lanche e partíamos para a viagem de 2,5h até São Paulo.

Sempre assim: Dr. Juljan e Alice no banco dianteiro e os filhos atrás. O meu lugar era num dos colchonetes, de onde eu curtia o céu superestrelado até adormecer. 

A banda em 1912, ano de sua fundação (divulgação)
Mas ninguém dormia antes de pararmos no centro de Itu. Na praça do Carmo, a fonte luminosa era imperdível para nós, crianças.

Logo ao lado, na Praça da Matriz, a Banda de Itu se apresentava no coreto. Com direito a observarmos o footing: homens caminhando numa direção da calçada e mulheres na outra, jogando seus olhares para pescarem a atenção do par ideal. 

Quando surgiu o primeiro long play da Banda - já aclamada como a melhor do país - claro que conquistou um posto na vitrola da fazenda, quando Dr. Juljan queria demonstrar sua qualidade a visitantes que pouco conheciam Itu.

São lembranças reavivadas pelos eventos em torno do já mencionado centenário desta banda. Além de apresentações musicais, houve o lançamento de um livro assinado pela pesquisadora Anicleide Zequini e por Maria Célia Bombana, personagem em "O Cavaleiro da Saúde" que divide comigo a autoria do "Hortas na Educação Ambiental". 

Editado pela Editora Ottoni, cuja maior especialidade são livros sobre a história regional, o texto baseia-se em dezenas de entrevistas e pesquisas em arquivos históricos da cidade, de onde também saiu a maior parte das 82 imagens que ilustram a obra.

Claro que a notícia saiu com maior destaquenos veículos da região. Mas quero começar pelo destaque de uma nota do jornal O Estado de São Paulo, curta e significativa:
A festa do IV Centenário de São Paulo, em 1954, e a abertura da Rodovia Transamazônica, em 1972, tiveram algo em comum: a Corporação Musical União dos Artistas, mais conhecida como Banda de Itu. Prestes a completar 100 anos no sábado, a banda vai ganhar na sexta livro sobre sua história, escrito por Anicleide Zequini e Maria Célia Bombana.
Quer saber mais? Eis alguns links:



Quer comprar?
Trabalho de fôlego das autoras, o livro " A Banda de Itu - Cem Anos de lutas e glórias" está à venda na Corporação Musical União dos Artistas (11-4023-1654, segundas, quartas e sextas, das 13 às 17h), com renda revertida para a entidade. (Silvia Czapski)